A prática da Pastoral da Juventude na América Latina à luz da Palavra de Deus – Lucas 1; 26 - 38

Procurando colaborar com o envolvimento de todos/as no 3º Congresso Latino-Americano da Pastoral da Juventude vai, aqui, uma reflexão sobre a prática e ação da PJ na América Latina e Caribe à Luz do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas Capítulo 1 versículos de 26 a 38.

 

1. Naquele tempo, no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,  a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria.  Lc1, 26 - 27

 

Num primeiro momento, precisamos falar de Nazaré e sobre a mística que este povoado sugere. Nazaré é uma cidade bonita, empobrecida, situada na periferia, dividida e desigual. Ela traz como lugar, vários aspectos da mística que podemos cultivar:

 

·        acolhida – em Nazaré, Jesus é acolhido no carinho de sua família;

·        crescimento – Nazaré é o local de aprendizado e crescimento do menino e jovem Jesus;

·        estudo e trabalho: em Nazaré Jesus cresce, trabalha, estuda, aprende a profissão de seu pai: carpinteiro;

·        descoberta da missão – em Nazaré Jesus passa seus mais longos anos e descobre sua missão;

·        convivência – em Nazaré vemos a convivência de Jesus com seu grupo familiar e com outra gente da sinagoga e com um grupo de amigos.[1]

 

Deus realiza um chamado a uma jovem e mulher. Na sociedade em que Jesus viveu a mulher era marginalizada e discriminada. Mas, Deus, Amor infinito, chama uma mulher, rompendo assim com os preconceitos, confiando nela. Deus confiou e acreditou em Maria.

 

Em todo o texto veremos os nomes das pessoas: o anjo se chamava Gabriel, a jovem se chamava Maria, seu futuro esposo era José, seu Filho será chamado Jesus e sua prima se chamava Isabel. Por que será que Lucas, no texto, frisa o nome dos protagonistas da ação? Dar nome às pessoas é dar-lhes importância; é crer nelas; é dizer que elas são únicas; é reconhecer nelas a presença de Deus.

 

Vemos no texto a história do chamado/convite que Deus faz a Maria, uma jovem, é chamada a ser mãe do Redentor da humanidade. Maria é chamada a realizar uma missão.

O chamado de Deus a Maria não se deu de qualquer forma: Deus enviou um anjo até ela.

Um outro aspecto do chamado de Deus a Maria é que o anjo vai ao encontro de Maria. Nesse movimento o anjo sai de seu lugar e vai ao encontro de Maria em seu lugar vital.

Precisamos sair em missão e ir ao encontro dos/as jovens em seus lugares vitais.

 

O anjo, ao ir ao encontro de Maria, vai até ela portando uma boa nova: Ela seria mãe do Messias, do Salvador.

 

2. O anjo entrou onde ela estava e disse: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’ Lc 1; 28

 

Deus estava com Maria. Em toda a história do povo de Deus, veremos que Deus sempre está caminhando junto com o povo. E, como tal, Deus também caminha junto com a Juventude.

 

Vemos, no texto, uma saudação do anjo à Maria. A saudação é um gesto de cuidar do/a outro/a e de querer bem. Vemos, na saudação, um gesto de cuidado do anjo para com Maria, motivando-a.

 

3. Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. Lc 1, 29

Maria fica admirada com a saudação do anjo, e não sabe o que ela significa.

 

4. O anjo, então, disse-lhe: ‘Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Lc 1, 30

 

“Não tenha medo”. Ao longo dos quatros Evangelhos essa será uma afirmação que se repetirá diversas vezes. O medo é um sentimento natural, faz parte de nossa condição humana.  Mas o medo não pode nos impedir de caminhar, avançar e continuar a Missão, O próprio Cristo caminha ao nosso lado. Não tenhamos medo de lutar pela Vida da Juventude.

 

5. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus.  Lc 1, 31

 

O que significa o nome “Jesus”? Jesus seria o nome do Redentor, “verdadeiro homem e verdadeiro Deus” que, por Amor, assume para si todos os pecados, morrendo na Cruz.

 

6. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Lc 1,32

 

Jesus será Rei. Sendo rei, Jesus inverteu tudo o que se acreditava sobre o que era ser rei: para Ele ser rei é ser aquele que serve à todos/as na gratuidade, aquele que acolhe e aquele que, por Amor, morre por todos/as; tanto que Ele morre na cruz.

Jesus, sendo filho de Deus, é filho de Maria e José, descendente de Davi. Jesus, neste ato, assume a vida humana e sua história – descendência familiar.

 

7. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim’. Lc 1,33

O Reino de Jesus não terá fim. O Reino de Jesus começa, mas não se encerra. Em toda a trajetória de Jesus, Jesus demonstra e dá sinais do Reino, que é uma construção de todos/as nós nos dia-a-dia.

 

8. Maria perguntou ao anjo: ‘Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?’  Lc1, 34

Maria afirma ser virgem e, como tal, não poderia ser a Mãe do Menino Deus. Neste ato Maria assume quem Ela é e sua condição e limitação naquele momento.

 

9. O anjo respondeu: ‘O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus.  Lc 1, 35

O anjo afirma que o Espírito Santo virá sobre Maria. Jesus, antes de sua Páscoa, promete que sempre estará conosco através do Espírito Santo. Jesus caminha ao nosso lado, caminha ao lado dos/as jovens, assim como caminhou ao lado dos discípulos de Emaús.

 

10. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril.  Lc 1, 36

O anjo conta a Maria que sua prima Isabel, mesmo na velhice, está grávida.

A noticia de uma gravidez é uma noticia simples, mas é uma noticia de alegria e felicidade.

 

11. Para Deus nada é impossível’.  Lc 1, 37

            Gabriel afirma: “para Deus nada é impossível”. Vemos, nesta frase, muitas coisas riquíssimas, mas me atenho em duas:  Deus caminha com o povo em seus lugares vitais e Deus age na vida.

 

12. Maria, então, disse: ‘Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!’ E o anjo retirou-se.” Lc 1,38

            Maria aceita o chamado de Deus. Da aceitação de Maria ao chamado de Deus podemos vislumbrar algumas coisas:

·        Prontidão – Maria assume prontamente à Missão. Ela não se importou com os riscos e conseqüências da Missão, apenas assumiu;

·        Gratuidade – Maria assume a missão a ela confiada, sem pedir nada em troca;

·        Disponibilidade total – Maria não se preocupa com seus afazeres, obrigações. Num ato de disponibilidade total  ela aceita a Missão de ser Mãe de Jesus;

·        Confiança – Maria confia plenamente em Deus, numa entrega total;

·        Doação – Maria assumindo a Missão se doa gratuitamente e prontamente à ela;

 

 

O Texto da Comunidade de Lucas traz uma série elementos que podem ajudar na caminhada da Pastoral da Juventude na América Latina. Como nos empoderamos desses elementos na caminhada da PJ?

 

Oxalá possamos, em nossa ação pastoral, seguir o exemplo de Maria, em nossa missão de construtores/as da Civilização do Amor e na defesa da Vida da Juventude.

 

Luis Duarte Vieira, 18 anos

Brasil

 

Texto revisado por Alessandra Miranda - Assessora da PJ no Regional Centro-Oeste e por um amigo da Juventude

 



[1] Na Trilha do Grupo de Jovens. Como Cuidar da Pessoa no Grupo de Jovens? Na Mística de Nazaré. CCJ: São Paulo – 2008.

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