[des]construindo Tempo livre e direito a sustentabilidade

Elisandro Rodrigues[1]

“Tempo é coisa de outro mundo...”Jogos de amar - Richard Serraria (Bataclã F.C)

Antes, de você meu caro amig@, iniciar a leitura desse artigo/texto/prosa/elucidações de uma outra pessoa que possivelmente você não conhece e nem ouviu falar antes, acredito ser importante [des]construir algumas coisas. A primeira delas é a forma como escreverei esse texto pretendendo desconstruir uma narrativa acadêmica para chegar mais perto do entendimento de você caro leitor(a), mas mesmo assim não podemos fugir de certos entendimentos acadêmicos para explicar as temáticas desse texto. O segundo ponto é pensarmos sobre o que é Tempo, o que é Livre, o que é Sustentabilidade a partir de conceitos relacionados ao mundo do trabalho. Um terceiro ponto é que utilizarei a ferramenta mais democrática para trazer a vocês os conceitos e as elucidações a que me proponho: a internet. Este artigo pretende ser um mosaico de retalhos de uma colcha colorida, sendo assim a tecetura nunca está pronta, apenas serve para ligar um ponto ao outro, um pedaço colorido ao outro. Dito isso, puxe o banco, sente no sofá, ou embaixo de uma árvore e vamos às problematizações.

Começaremos pelo conceito de Tempo. Na música Jogos de amar de Richard Serraria em uma das estrofes ele diz “Vista do alto a cidade é um bagulho muito doido, de noite o mundo é escuro, caminhos, carros, postes, luzes, o tempo escorre junto. O tempo é coisa de outro mundo”. Temos aqui uma conceitualização de tempo que nos cabe: “O tempo é coisa de outro mundo”. Definir o que é o tempo sempre foi uma tarefa árdua, até mesmo para os filósofos e pensadores. Heidegger foi um dos filósofos que se debruçou sobre o tema em seu livro “Ser e o Tempo”. Para ele o tempo,

ao temporarizar-se, expõe a abertura na qual o ser tem condições de desvelar ou de se velar. Isso significa que o sentido do ser se mostra através da temporaização ou da abertura do tempo, isto é, da temporalidade. Sendo assim, a temporalidade não se identifica com o homem ou com as coisas, antes possibilita a manifestação de homem e mundo; neste sentido, o tempo pode ser dito tanto o fundamento de possibilidade da compreensão do ser quanto o principio de individualização e singularização do ser. (Ferreira, 2003)

Sem dúvidas é um tema complexo de se entender, o que Ferreira tenta trazer é que quando damos sentido ao tempo estamos dando sentido a nossa vida e nosso cotidiano (temporizando). Esse “dar sentido” é a relação do nosso “ser”, que em Heidegger era definido como “dasein”, acontece na relação que estabelecemos com o mundo, com os outros, com os sentimentos, a atuação e vivência que transforma as relações e o mundo. Como dito anteriormente não é um conceito simples de se definir. O mesmo se dá com a idéia de Livre. No senso comum livre é o direito de ir e vir, de se fazer o que quiser, relacionando-se a ter liberdade. Podemos dizer que Livre é o que pode ser ocupado, como uma cadeira livre, uma mesa livre, etc. Tempo livre então seria o tempo a ser ocupado.

Mas se pensarmos, por exemplo, o que é uma música livre? O que é um livro livre? O que é uma pessoa (ser) livre? O que é o livre mercado? E para que ocupar um tempo que é livre? Antes de nos ocuparmos desse tempo livre que temos para tentar responder essas perguntas vamos ao outro conceito muito usado nos dias de hoje.

Segundo a Wikipédia, “Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana”. Sustentabilidade está ligada a idéia de preservar a biodiversidade e os ecossistemas, que pode ser a minha, a sua vizinhança ou o mundo. Ainda na Wikipédia, encontramos que “para um empreendimento humano ser sustentável, tem de ter em vista 4 requisitos básicos: ecologicamente correto, viável, socialmente justo e culturalmente aceito”.

 
Continua...
BAIXE O ARQUIVO E LEIA O TEXTO COMPLETO

[1] Pedagogo. Produtor da Banda Boraimbolá (www.boraimbola.com.br). Trabalha na área de teatro com o grupo Baú de Encantos (www.baudeencantos.com.br) e militante do Movimento Música para Baixar (MPB – www.musicaparabaixar.org.br)

 

Ċ
Anchietanum - Centro de Juventude,
14 de jun de 2010 12:05
Comments