Pastoral da Juventude e Resiliência

1.2 O grupo: aceitação incondicional, identidade, auto-estima, pertença, apoio social

 

Esta noção leva a pensar a importância do papel do grupo de pastoral e da organização, isto é, da articulação e do trabalho conjunto por causas comuns, que opera também como rede de apoio social.

Pensar em Pastoral da Juventude é pensar na criação de grupos. A vivência grupal é uma necessidade fundamental na juventude. Bem levado é um lugar de contenção e proteção, de descobrimento de si e dos outros, de descoberta e assunção da identidade e da auto-estima. O jovem precisa sentir que é aceito pelos outros. Um dos fatores mais importantes de proteção para a superação das dificuldades é sentir-se aceito incondicionalmente por uma ou mais pessoas. No grupo, o jovem forja a sua personalidade, conquista e define a sua identidade, descobre seus pares e parceiros. O grupo pode ser o lugar de contenção, de partilha de valores, sentimentos e ideais. O grupo pode oferecer um espaço privilegiado de reconhecimento pessoal, de aceitação e de apoio social. 

Quase sempre a resiliência está associada a uma boa auto-estima, sendo a aceitação de si uma das poucas condições quase indispensáveis para a resiliência. Por sua vez, “a convivência com o sentimento de desvalorização pessoal parece ser um dos poucos eventos adversos que por si só tem capacidade de afetar o potencial de superação de problemas”[1]. O filósofo e teólogo protestante Eric Fuchs[2], considerando a importância de sentir-se aceito e reconhecido pelos outros, afirma que a resiliência é um sinal da “importância estruturadora da confiança”, pois “a auto-estima se baseia na estima que o próximo lhe demonstre”[3]. Nos grupos da pastoral, criam-se esses vínculos de confiança e são espaços propícios onde “nascem e se desenvolvem amizades, as pessoas aprendem a dialogar francamente, a resolver seus conflitos, a perdoar-se mutuamente, a cuidar-se fraternalmente e a olhar a vida com otimismo”[4].

Como observa a Conferência Episcopal Latino-americana - CELAM, os jovens se relacionam e “se comprometem mutuamente, aceitam-se como são, ajudam-se na superação dos problemas e vão criando uma linguagem, um conjunto de ‘regras’ e objetivos comuns que lhes dão um sentido de pertença e identidade grupal”[5]. O grupo motiva esse sentimento de pertença. Este sentimento é considerado por Suárez Ojeda como um dos pilares da resiliência comunitária[6]. O jovem, aos poucos, vai sentindo



[1] ASSIS, 2006, p. 49.

[2] FUCHS, Erich é catedrático emérito da Faculdade de Teologia Protestante da Universidade de Genebra, Suíça.

[3]  [...] importancia estructuradora de la confianza [...] la autoestima se basa e la estima que el prójimo te muestre. FUCHS. In: MANCIAUX, 2003, p. 286.

[4] CELAM, Civilização do amor: tarefa e esperança. Orientações para a Pastoral da Juventude Latino-americana. São Paulo: Paulinas 1997, p. 195.

[5] CELAM, 1997, p. 195.

[6] SUÁREZ OJEDA, 2006. Conferência ministrada no Instituto Humanitas Unisinos (São Leopoldo - RS), 18-10-06, não-publicada.

 

ESTE É UM TRECHO APENAS, AQUI BAIXE O TEXTO NA ÍNTEGRA:

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Anchietanum - Centro de Juventude,
8 de fev de 2010 14:49
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Anchietanum - Centro de Juventude,
8 de fev de 2010 14:49
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